Lucas 5:27-39
Jesus de Nazaré atraía multidões com os seus ensinamentos e milagres, e os líderes religiosos, desconfiados de um homem sem formação académica, começaram a investigá-lo. Tudo o que se segue decorre de um único momento: ao passar por uma alfândega, Jesus viu Levi — mais tarde conhecido como Mateus —, um cobrador de impostos desprezado como traidor e vigarista, que se tinha enriquecido cobrando em excesso ao seu próprio povo. Ignorando o escândalo, Jesus limitou-se a dizer: “Segue-me.” Leví deixou tudo para trás, levantou-se e seguiu-o: uma decisão da vontade transformada em ação.
Para comemorar, Levi organizou um grande banquete na sua casa, convidando os únicos amigos que tinha — outros cobradores de impostos e “pecadores” — e Jesus compareceu de bom grado. A notícia chegou aos fariseus, que ficaram ofendidos por um homem supostamente santo comer com essas pessoas. A resposta: quem está bem não precisa de médico, mas sim os doentes; ele não veio chamar os justos, mas sim os pecadores ao arrependimento — uma repreensão que se dirigia também aos críticos, uma vez que todos precisam de cura.
Quando questionado sobre o motivo pelo qual os seus discípulos festejavam enquanto outros jejuavam, Jesus declarou-se o noivo: enquanto Ele está presente, é tempo de celebração. O jejum tem o seu lugar — associado à oração, à busca de Deus — mas não como uma tradição orgulhosa.
Falou depois de um pano novo que não serve para remendar uma roupa velha e de vinho novo que rebenta os odres velhos. A velha ordem não consegue conter o que ele traz; ele não está a reparar o antigo sistema, mas sim a introduzir algo novo que o completa. As pessoas preferem naturalmente o antigo, mas, ao agarrarem-se a ele, correm o risco de não reconhecer o Messias que está no meio delas.
O convite eterno: Jesus vê cada pessoa, mesmo a mais rejeitada; convida todos, todos os dias, a segui-lo — a deixá-lo curar o que ainda está reprimido, a viver marcados pela celebração e a manter-se abertos à nova obra do Espírito, sem nunca se deixarem limitar pela tradição, dispostos a deixar tudo para trás e a segui-lo.